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O desentendido viu o mundo e transformou seu espaço numa parcela dele, virando apenas mais um contador de histórias,
reais ou fictícias, que aconteceram na vida dele e na de outras pessoas, reais ou não.
Bem-vindos à Toca, patrimônio do mundo de Mário
Oliveira, morador da cidade de Fortaleza, vizinha à cidade da Esperança.
MSN: mario.oliveira@gmail.com
Clique aqui e me mande um email. Elogie, grite, arrote, reclame, faça o que bem
entender.
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Últimas fotos em fotolog.net/mad_s

MAZELICE NEVERMORE
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AAnálises |
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"[toca.blogger.com.br]
É muito boa a maneira como escreve seus posts.
Mantém uma ótima organização e possui um perfil bem detalhado e criativo.
Só reduza um pouco a quantidade de posts que estão sendo exibidos, não há necessidade de tantos já que possui arquivos.
[Nota 9,5]"
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RESGATE A WEB!
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ADomingo, Julho 27, 2008, às 7:59 PM |
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Mudando de casa
Ah, Toca, aprendi demais com você. Vivi por tanto tempo só aqui que já até me desacostumei com os ares de outros lugares. Não é a hora de me despedir pra sempre, mas sim de te dizer que, à partir de hoje, este não é mais meu lar. Mas quero que, como uma boa mãe e um pai zeloso, deixe um lugar reservado, uma cama preparada para comemorações e partilhas de dor.
Para onde vou, me pergunta? Vou me centralizar.
[ centrAl ]
Por Mário Oliveira, às 7:59 PM. Comentários:
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AQuinta-feira, Março 13, 2008, às 11:59 PM |
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Reticências
Eu não tenho nada a dizer.
Por todos a quem magoei, para todos a quem decepcionei, eu devo no mínimo um pedido de desculpas, desculpas ao universo. Pago, porém, com o meu silêncio. Com uma saída sincera no último segundo de uma sanidade imprópria às minhas atuais condições. Com o vácuo, com o vacilo de falas sem sentido. Pago com minhas palavras que outrora ajudaram a ferir tantos. Pago com a balança da ajuda a tantos mais. Pago à vista, pago aqui, pago agora. Assim, calado.
Sozinho calo-me. Calo-te. Calamo-nos.
Por Mário Oliveira, às 11:59 PM. Comentários:
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AQuarta-feira, Janeiro 23, 2008, às 10:23 PM |
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O mendigo e a igreja
Mais um domingo de missa. Mais uma chance de ganhar uns trocados a mais. Era viciado naquele lugar, naquela escadaria do lado de fora daquela igreja de médio porte. Colocou o pequeno prato no batente e começou a pedir.
- Uma esmola, pelo amor de Deus! Um esmola, em nome de Jesus!
Boa parte das pessoas se comovia com aquela situação. Assim, o mendigo ganhava o seu pão, para os momentos de fome, e ganhava o seu circo, a sua aguardente, para os momentos de solidão.
Não havia nada de especial naquele mendigo. Era paupérrimo e, como tantos outros, viera do interior de um estado mais pobre, longe da selva de pedra, acreditando nas promessas de um futuro melhor. Como tantos outros, também, descobriu que as promessas não passavam de nada além disso, promessas. Tentou pedir dinheiro para voltar para casa, mas não recebia crédito algum. As pessoas não tinham como saber que entre tantos mentirosos, aquele pobre homem falava a verdade. Deste ponto até o começo desta narrativa, foram precisos muitos goles de cachaça.
Havia algo de especial naquele dia. O dia em que o mendigo decidiu parar de beber e guardar parte do que recebia nas mendincâncias para voltar ao seu verdadeiro lar. Assim, cada domingo tornou-se um dia de expectativas. E de grão em grão, ele conseguiu juntar todo o dinheiro. Logo após o grande feito, fez o que normalmente os mendigos não fazem: entrou na igreja para agradecer por toda a bondade de Deus.
- O que um mendigo faz aqui no meio de todos? - Murmurou alguém.
- Deve vir pedir esmola junto com a coleta do dízimo. Mas que audácia! - Retrucou, baixinho um outro alguém.
- Alguém deveria chamar a polícia! Este é um lugar sagrado, não um lugar para um mendigo pedir esmolas. Onde já se viu uma coisa dessas? - Comentou uma terceira pessoa, começando uma chuva de julgamentos em vozes baixas.
O mendigo caminhou até o meio da igreja e escolheu uma fileira de bancos com um lugar vazio. Não que importasse se aquele lugar estava vazio ou não, pois logo após a escolha, todos os outros ocupantes mudaram de posição, ocupando outros lugares.
O mendigo apreciou as figuras celestiais e pôs-se a ouvir o sermão do padre. O padre separara um dos seus sermões favoritos para aquele dia: O que tratava sobre a importância da gentileza, do poder do amor e do respeito que os seres humanos, irmãos sob os olhares da santíssima trinidade, deveriam ter uns pelos outros. As pessoas não ligaram para o sermão daquele dia. O mendigo atraía uma atenção muito maior.
O mendigo é uma pessoa como tantas outras. Tem sus angústias. Tem seus medos. Tem seu orgulho. Assim, terminou de rezar e se dirigiu novamente para o meio da igreja. O silêncio invadiu o local e assim, todos, inclusive o padre, esperaram o próximo passo do mendigo.
Num giro, observou todos os que o observavam e notou que a regra dos homens é muito diferente das regras de Deus. Levantou o dedo, fechou os olhos e disse:
- Seja feita a vossa vontade! Amém...
Ainda hoje todos daquela igreja se perguntam por onde anda o mendigo e agradecem aos céus que nunca mais ele entrou naquele santuário.
Por Mário Oliveira, às 10:23 PM. Comentários:
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ASegunda-feira, Janeiro 14, 2008, às 9:35 PM |
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O pródigo ataca novamente
Ou a crônica do "eu bem que te disse"
Às vezes eu me pergunto até onde vai a ingenuidade das pessoas. Ou melhor, até onde elas suportam ser enganadas. Pensando mais um pouco, a resposta vem na sequência lógica da indagação: até onde as pessoas gostam de ser enganadas?
É como aquele conto da velha coruja e do gavião. O gavião faz um acordo com a coruja: não vai comer os filhotes dela de forma alguma. A coruja diz que seus filhotes são lindos, que parecem dádivas do céu. O gavião encontra uns bichos horrendos e os come. A coruja chora, chinga o gavião, que se diz inocente, e todo mundo sabe o resto. Eu não lembro ao certo se era um gavião mesmo no papel do devorador, mas da boba da coruja todo mundo lembra. Todos lembram daquela que mente pra si mesma, esquecendo de encarar a realidade e sofrendo a perda no final.
Meu irmão foi embora. Levou todo o dinheiro que poderia colocar nos bolsos, cuspiu uma série de impropérios e ingratidões e foi pelo mundo. Bebeu, fumou, fodeu. Nosso pai se preocupou, morreu de pena e parecia ter esquecido de mim.
- Encara essa, paizão: ele não volta. E mesmo se voltasse, o senhor deveria se preocupar conosco. Nós é que estamos aqui com o senhor nas horas de dificuldade. Nós é que colhemos suas lágrimas. Nós somos sua família e família de verdade não foge.
- Meu filho... seu irmão apenas está desorientado. Quando o dinheiro acabar, quando as festas ficarem escassas, ele voltará para nós, para o seio da nossa família. E eu, como o pai do filho pródigo, vou abrir meus braços e acolhê-lo novamente.
- O senhor é que sabe. Mas, quando ele voltar e sugar todo o dinheiro, eu vou voltar e dizer "eu bem que te disse". Vou fazer questão de lembrar.
Como um personagem bíblico, meu irmão voltou. Chorou copiosamente e nosso pai fez uma festa, como nunca antes fizera. Matou bois gordos, desempilhou os melhores vinhos, trouxe fartura a poucas pessoas; uma fartura que ainda teria este nome mesmo se fosse destinada a um pelotão inteiro.
Meu pai, feliz pela volta de um dos seus, chegou perto do outro e relembrou:
- Meu filho, eu amo vocês todos igualmente. Se o mesmo ocorresse com você, eu faria a mesma festa.
- Deixa pra lá, paizão, deixa pra lá. Eu já li essa história antes e sei disso.
Meu irmão encheu os bolsos novamente e, facilmente dedutível, foi embora outra vez.
Nesse momento eu olho para o meu pai ali no canto da sala, imaginando o que ele possa estar pensando. Ele sabe que estou aqui, olhando para ele. Até fiquei com vontade de ir lá e comentar com ele, dizer "eu bem que avisei". Mas, lembram do começo dos meus pensamentos? Até que ponto eu posso achar que sei quem as pessoas são? Até onde eu posso dizer que posso prever um cenário e profetizar todo o seu futuro? Até que ponto eu também me engano? Até que ponto eu gosto de enganar a mim mesmo com tudo isto? É muito cômodo para mim jogar minhas frustrações em cima do meu irmão pródigo. Não que meu pai esteja certo, mas também não posso dizer que eu esteja. Sabe, com isso tudo eu esqueço do que realmente importa e que se esvai das nossas mãos enquanto pensamos em tantas besteiras.
Fui até meu pai e o abracei, dizendo:
- Eu sei que nós somos o seu mundo. Você é parte do meu também. Nós todos somos assim, temos o mesmo sangue. E por isso, mesmo contra a lógica, ou até mesmo à favor dela, eu prevejo: ele volta, pai. Ele sempre voltará.
Por Mário Oliveira, às 9:35 PM. Comentários:
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AQuinta-feira, Dezembro 06, 2007, às 7:11 PM |
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Histórias de quinta
Auto-descobrimento
Ela já não sorria mais quando me via. Eu notava nos seus olhos o inevitável se aproximando. Assim, como tragédia anunciada, chegou o nosso fim. Um final banhado em lágrimas, bem mais minhas. Um final banhado na minha sina de permanecer só. Novamente.
Sempre tentei colocar a culpa em outros fatores. Incompatibilidade de gênios, horários totalmente diferentes, gostos cambiados, destino. O fato é que eu ansiava por um relacionamento que fosse aquilo que eu sempre quisera. Nos intervalos das minhas tentativas eu ficava aqui, onde estou neste momento, no chão.
Deitado aqui eu pude ver o céu. Olhando o céu eu enxerguei a mim mesmo.
Eu não levo em consideração a dor de muitos, por achar que é sofrimento por pura besteira. Mas este é só meu pensamento. E assim, para muitos, o meu chão deveria ser considerado o meu céu e eu deveria agradecer por todos os segundos da minha vida por isto. Não os culpo. Na verdade, neste momento, eu começo até a entender o que querem dizer quando falam que eu tenho tudo.
Meu sofrimento é importante, obviamente. Se não fosse, eu não estaria sofrendo. Mas o que é meu sofrimento perante à fome? A sede, o pânico, a miséria? Por que eu me sinto tão mal, tão medroso frente ao futuro, quando outros nem futuro têm e por isto sofrem?
Eu me sinto mal por me ver sozinho. Eu deposito minhas esperanças na primeira pessoa que aparece na minha frente e isto me leva a beber toda a fonte, esgotando-a. Eu levo tudo para a complexidade maior, quando na verdade deveria ser o mais simples possível. Eu complico. Eu me acabo.
Eu cansei de sofrer por batalhas perdidas desde o começo.
Vejo as nuvens nas mais variadas possibilidades dos meus sonhos. E rio, comemoro, danço, levantando-me da minha dor que agora me causa risadas, por ter me deixado mais forte ao invés de acabar comigo como deveria. Eu quero viver bem, mesmo com a incerteza da solidão. Eu quero viver, pois a vida continua como um trem e por ela eu não serei atropelado.
Por Mário Oliveira, às 7:11 PM. Comentários:
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AQuinta-feira, Novembro 08, 2007, às 1:05 PM |
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Histórias de quinta
Cegos de coração
Quando eu me tranco no meu quarto e choro, não é pela revolta. Não sou uma revoltada, não gosto de reclamar sem motivos. É que eu vejo tudo cada dia mais tendendo ao vazio. Eu sinto que os rostos das pessoas estão transfigurados pela ação cada vez mais rápida do tempo. A pressa que esvazia seus corações, que torna tudo tão banal e simples.
O amor se esvaiu de muitos.
O mundo lá fora é triste. As pessoas fingem que procuram a felicidade. Na verdade, tudo o que procuram são compostos de carbono, algumas pedras e rochas e derivados de vegetais. Elas se medem na conquista do que acham ser o absoluto, real. O resto, ah, o resto é abstrato e não é importante.
Não falo de todos. Há ainda aqueles que sabem ter sentimentos. Não falo de exageros como de certos grupos, mas dqueles que ainda sabem ser tristes, alegres, zangados ou eufóricos. Daqueles que não esqueceram a porção infantil dos seus corpos, que é tão criticada hoje em dia. Ser criança não é mais privilégio nem das próprias crianças, que se preocupam cada vez mais em crescer mais rápido, em ter responsabilidades e vacuidades de adultos. Não poderia ser de outra forma, pois seus moldes, seu berços de sociedade são assim.
Eu choro porque eles se apegam somente ao que encaram como concreto. Eu vivo no que muitos acharia ser o vazio. Esta cegueira física me prende somente aos sons, aos toques e, especialmente, aos sentimentos. Sim, eu sou uma cega que chora por ver o mundo com o coração. Choro por sentir a maldade brotando, por ver a discórdia chegando em pontos que nossa intelectualidade não deveria permitir.
Um dia eu vi o mundo com os mesmo olhos. Eu ainda enxergava as três dimensões. Não via o amor, não via a raiva inocente, não via a alegria. Depois daquele fatídico acidente, qaundo perdi minha visão, eu pude enfim enxergar que o vazio não é o que todos acham ser. Ele é a morada dos sentimentos. E neles eu fixo a minha vida. E neles eu enxerguei as formas de tudo. Do coração, da esperança, da vida, da inocência e de tantas coisas que nós, como sociedade, encaramos como abstrato. Encaramos, cada dia mais, como supérfluo, como vazio.
Na verdade, o universo é totalmente concreto. E quando virei a exceção, a parte que a sociedade não quer ver sem ter pena ou nojo, é que eu entendi tudo. Somos todos tremendamente cegos.
Para quem viu os posts anteriores, este é um novo espaço. Nele, quero tentar escrever ou interpretar o que as pessoas me falam ou pedem aqui nos comentários da quinta-feira. Com poucos detalhes eu quero ser guiado e levar vocês por caminhos interessantes. Quando uma nova idéia aparecer, mais uma história de quinta aparecerá. Esta última vai dedicada à Imcompreendida . Abraços!
Por Mário Oliveira, às 1:05 PM. Comentários:
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ASexta-feira, Outubro 26, 2007, às 11:49 AM |
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Histórias de quinta
Sim, eu sei que hoje é sexta-feira. Ou quase. Pra confessar, quando abri isto aqui, eu jurava que seria uma quinta-feira. Mas tudo bem, tudo bem. Uma amiga me alertou da quantidade de textos meus durante este ano. Não que eu tenha que me cobrar para escrever um absurdo, como na época em que me obriguei a escrever duas vezes por semana ao menos, mas assim já é demais.
Tudo, em algum momento, precisa de alguma revitalização. E esta vai ser a minha maneira de interagir, daqui para frente, com os meus visitantes. Toda quinta-feira, pretendo escrever algo aqui, com alguma idéia que houver nos comentários. Quero ver o que eu posso desenhar com uma linha, com um ponto inicial que você, meu caro leitor, colocar. Não precisa ser nada muito concreto, alguma idéia bem abstrata já serve. Se não houver nada, não escrevo nada nesta data. Isto nada tem a ver com os meus outros textos, é só uma aditividade.
Começando agora, nos comentários. Um grande abraço!
Por Mário Oliveira, às 11:49 AM. Comentários:
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